Sergipanidade Crítica

Fio do cabrunco’, ao ouvir essa expressão, levantei-me procurando o locutor. Era um homem baixo, calvo e branco, aparentava ter 50 anos.
Fui então à sua mesa e iniciamos uma calorosa conversa, na qual descobri que o dito cujo era de Sergipe e morava há 15 anos em São Paulo.
Ao longo do bate-papo, várias expressões sergipanas foram ditas, tais como ‘apuço’, ‘barreado’, ‘desdobro’, ‘paia’, ‘se oriente’, ‘pentcha’, dentre outras. Fiquei estupefato pelo homem, após tanto tempo morando no sudeste, ainda manter o sotaque e gírias do seu Estado natal.
O senhorzinho é um dos poucos sergipanos que conheço, que apesar de muito tempo longe de casa, ainda mantém o sotaque. A vasta maioria nem precisa passar anos para esquecer, basta alguns meses ou semanas e, num passe de mágica, esquecem determinados jargões próprios de sua cultura.
Um caso é o da minha tia, criada e nascida em Sergipe Del-Rei que foi para a Terra da Garoa passar três semanas para visitar os familiares que aqui residem. Ao voltar para casa, contam seus filhos, que esta falava com um sotaque paulista e que desconhecia ‘baixa da égua’ e ‘fio do canço’.
Sobre seus conterrâneos, que por algum motivo escondem o seu sotaque, o senhor respondeu: “Esses abestalhados são todos uns cabruquentos que gostam de se amostrar, passam um dia fora, e já voltam falando como se fossem cariocas, baianos, gaúchos, etc. “Oxe, sergipano que é sergipano não nega a sua raiz não”.

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